Mundial sem graça faz Fifa repensar fórmula

Os recentes fracassos de times sul-americanos, o último o River agora, mostrou o quanto continente está anos luz atrás da Europa.

Em decisão praticamente unânime na FIFA, a organização decidiu que irá mudar completamente o formato atual do Campeonato Mundial de Clubes. A fórmula atual, com os times disputando suas respectivas ligas continentais, e ao final do ano participarem de uma espécie de torneio, onde times europeus e sul-americanos, por na teoria, serem mais fortes, ficarem biônicos, irá acabar. A verdade é que o mundial foi sem graça e isso não agradou a quase ninguém.

Após ser campeão da Libertadores em solo europeu, o River Plate decepcionou completamente nem chegando a final do Mundial. Fazendo com isso que o campeão europru, Real Madrid, conquistasse o tri campeonato da competição.  A verdade é que se o Real Madrid disputasse um amistoso, entre seus titulares e reservas, seria mais difícil aos titulares. A vitória por 4 a 1 diante do Al Ain foi até modesta. Se o time espanhol vencesse por 8 a 1 não seria exagero, tamanho sua superioridade.

Isso foi o bastante para que o presidente da Fifa, Giovanni Vincenzo Infantino, decidisse colocoar em pauta a mudança completa da competição. O presidente da Fifa quer mudar o formato atual do torneio. Transformá-lo em outra competição: anual ou quadrienal. E colocar nada menos do que 24 equipes. E lucrar muito.

Novo formato

A Fifa tem uma proposta de empresários interessados nesse torneio de 24 clubes. Eles estão dispostos a pagar 25 bilhões de dólares, R$ 97 bilhões, para organizar pelo menos dez torneios. A fórmula que tem mostrada como ideal é a quadrienal. O critério de distribuição dos grupos. São 12 clubes da Uefa, campeões e vice das últimas quatro edições das Ligas dos Campeões. E mais os quatro últimos campeões da Liga Europa. Da América do Sul, os últimos quatro campeões da Libertadores. E os últimos quatro campeões da Copa Sul-Americana fazem um play-off para decidir quem disputa a repescagem contra o representante da Oceania.  Da África, dois clubes. Assim como da Ásia. Duas equipes da Concacaf. Nestas confederações haverá play-offs entre os campeões continentais. Uma equipe da Oceania disputará sua vaga com uma equipe sul-americana. Além de uma vaga para o país promotor da competição.

Tudo bem parecido com o fomato da Copa do Mundo, que acontece a cada quatro anos, só que dessa vez, um mundial de clubes. O formato é tão parecido, que lembra as primeiras competições mundiais de seleções, onde terão oito grupos de três equipes, só o primeiro se classifica. A partir daí, as quartas-de-final, semi-final e final. A ideia é que a competição se encerre em 18 dias.

Tudo indica que em março, haverá uma reunião  na Fifa, que deverá sacramentar a nova fórmula. O novo formato pode acontecer entre junho e julho de 2021.

Mais lucros e mais competitividade

Claro que não é só por emoção ou por achar feio ou bonito o formato atual ou o que será posto. Como todos sabem, futebol é um negócio, a Fifa é uma empresa, e como tal, precisa lucrar. Além disso, seus patrocinadores e os clubes que são filiados a ela, também querem faturar. Na proposta de Infantino, muito dinheiro, para contentar a todos. A ideia é dividir US$ 650 milhões e US$ 1 bilhão por edição do novo torneio. 75% para os clubes participantes, 5% para ligas e clubes não-participantes, 20% para programas de desenvolvimento ao redor do mundo.

Com a falta de competitividade, até possíveis patrocinadores perdem o interesse. O público então já perdeu há anos.

Sem o equilíbrio na competição, fica chato. Para se ter uma ideia, desde a  primeira fórmula, batizada de Torneio Intercontinental, de 1960 até 1994, foram 20 títulos sul-americanos contra 13 dos europeus. Tudo começou a mudar quando em 1995, com a criação da Lei Bosman, e a possibilidade das grandes estrelas do mundo defenderem clubes europeus em maior quantidade por time (antes só podiam 5 jogadores estrangeiros por clube), o Velho Continente se impôs e acabou faturando 19 das últimas 25 taças disputadas. O último campeão da América do Sul foi o Corinthians, há longínquos seis anos atrás, em 2012.

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