PRA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DOS JAMBOS.

Una, 29 de Agosto de 2011
Autor: Um filho da Terra.
Quero começar desenvolvendo esse texto fazendo uma retrospectiva histórica. Fevereiro de 1965, pois foi o mês e o ano em que chegamos aqui. Estava eu e minha família adentrando essa cidade, esse município, eu era um pequeno menino, curioso e observador; lembro-me quando cruzamos a ponte do repartimento junto à Fazenda Dendévea, um corredorzinho estreito e lá em baixo um lençol de águas límpidas como jamais havia visto. Ao passar em Colônia, fiquei admirado ao ver as casas de ripa de juçara cobertas com palhas da mesma palmeira ou taubilha.
Foi assustador passar sobre a ponte da barragem sem cabeceiras e por isso apelidada de ponte “Pelada”. Ao passar a ponte, contemplei as primeiras casas da Getúlio Vargas, e o primeiro morador que posteriormente vim a conhecer era o Sr. Deja; era um homem alto, forte e muito prestativo. O caminhão que nos trouxe foi percorrendo a Avenida de casas simples e alegres, passamos pela plantação de seringueira que cedeu o seu espaço para o escritório da Ceplac e o campo de futebol da mesma Instituição e aí vinha as casas de Dona Cândida da família Almeida. Descemos a Getúlio Vargas em direção ao centro, e o caminhão parou na Rua Liberalino Barbosa Souto, em frente a casa de Benedito do Bar Vascão. Eu residi onde hoje reside osso amigo Rui Barbosa e sua esposa Fátima Bandeira. Fui Vizinho de Vó Clarice, Mãe Tété, irmão Paulo Humberto e outros. Aqui fomos acolhidos e conhecemos muitas pessoas entre elas o Sr. Francisco Cearense, homem simples, digno e cumpridor dos seus deveres, dentre os quais “Guardião dos pés de Jambo”, também conhecido como eugênia, nossas frondosas árvores que adornavam a Avenida Davi Fuchs. Ninguém subia nas árvores para tira-lhe os frutos, salvo com o consentimento do Sr. Cearense. Eu cresci aqui e até os meus 22 a 25 anos jamais vi tanto descaso com a natureza como nas últimas três décadas. Vândalos de todas as idades e classes sociais a atirar pedaços de madeira, pedras e outros instrumentos nos galhos de jambos carregados de flores, frutos verdes e maduros, que diante da agressão desprendia para deleite das bestas agressoras os seus tenros frutos.
Eu sempre observei tudo isso calado na esperança que o tempo e as autoridades tomassem providencia, pois não tínhamos mais o Sr. Cearense com o reio na mão impondo o cuidado e o zelo com a natureza.
Infelizmente o tempo não me contemplou nessas três décadas com mudanças nas pessoas, nem nas autoridades.
Agora nós que já não tínhamos Sr. Cearense, também não temos mais os pés de Jambo.

COMENTÁRIOS DE DI RUSCIOLELLI

Infelizmente mesmo meu caro amigo que já não temos mais um Sr. Cearense, como os Jambos, só temos monstros que governam a cidade ao seu bel prazer, não adiantam eles investirem nos Guardas Municipais para cuidar o patrimônio da nossa cidade, pois se no fim das contas o patrimônio maior que é a história, a riqueza de nossa cidade está se esvaindo nas mãos deles. E dessa vez não falo de dinheiro, falo de nossas culturas, tradições, histórias, e riquezas naturais. Bem maior que esse não existe, o dinheiro apesar de não sabermos para onde está indo, vai e vem, sempre vai ser assim, arrecadamos, nos é repassado e gastamos com nossos servidores e no custeio da máquina em geral. Mas nossa história, essa nem o tempo apaga. E não pensem que vocês são eternos e que ficarão aí para sempre.
Obrigado autor filho da terra. Obrigado a todos que manifestaram através desse blog, suas revoltas diante de mais um ato arbitrário.

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