NASCE O MAIS NOVO BLOG DE UNA

Conheçam um pouco da história de Una na construção desse mais novo blog que nasce na cidade

Agora sim, um blog sem comprometimentos, tão pouco receios e com total transparência, afim de mostrar fatos e acontecimentos dessa cidade extraordinária que é Una.

“A 18 de setembro de 1809, a Fazenda São José (antiga sesmaria), concedida a Maria Clementina Henriqueta pela rainha de Portugal Dona Maria, foi arrematada por Manoel de Souza. Começou, daí, a chegada de colonos alemães, austríacos e poloneses, formando-se, assim, com o nome de Una, posteriormente tragada pelo mar. Seus habitantes foram, então, obrigados a mudarem-se para um local mais seguro, distante quatro milhas, ao qual denominaram novamente de Una.
“A 21 de julho de 1890, esse povoado foi elevado à categoria de distrito do município de Canavieiras e Freguesia de Santo Antonio da Barra.
“Em 2 de agosto de 1890, houve o primeiro desmembramento do município de Canavieiras, com a criação do município de Una, sediado no local denominado Pedras (hoje povoado do mesmo nome). Por ter o desmembramento ocorrido sem a devida delimitação de terras do novo município, houve uma reanexação.“A lei estadual número 1.326 de 23 de agosto de 1923, proclamou a supressão e a transferência da sede do distrito para o povoado de Cachoerinha e somente a 2 de agosto do ano seguinte, a lei estadual número 1.718 restaurou o município com sede na Vila de Cachoeirinha.

“A 1º de janeiro de 1939, a Vila Cachoeirinha foi elevada à categoria de cidade, com a denominação de Una, cuja composição administrativa é constituída de três distritos: o da sede (cidade de Una), o de Arataca e o de Itatingui (ex-Pratas).

“Atualmente Una conta também com um núcleo Colônia (PIC-Una) e alguns outros povoados como, Pedras, Comandatuba, Oiteiro, Vila Brasil, Vila São João e Vila Jequié”. Hoje, Arataca está emancipado, incorporando os povoados de Itatingui e Anuri.
(Texto extraído da publicação em três volumes, CIDADES DO CACAU, da CEPLAC, Ilhéus, Bahia, 1982)

Trecho do TCC dor jornalista Adriano Rusciolelli da Silva – Di Rusciolelli – Fundador do Site Atitude em Una (atualização 2018):

O surgimento de sesmarias e das fazendas dos Fuchs – O nascimento de uma Vila e sua Primeira Emancipação. (1700 – 1910)

           O processo pelo qual a cidade de Una se originou é cheio de histórias ricas de detalhes. Mas, mesmo assim, após vários relatos e estudos nos textos que utilizamos para produzir esse documentário e monografia, não é possível afirmar com plena convicção, como exatamente, a cidade foi originada. Por se tratar de uma cidade que remonta o século XVI, tem-se por tanto, muitas histórias que tentam dar o cerne inicial para a formação da mesma.

           Faz-se necessário citar Silva (2001), onde em sua obra, mais completa até então que se tem notícia da formação da cidade, e baseado nas pesquisas que ela fez, podemos dizer que os primeiros povos a habitarem terras unenses foram os índios. Que anos mais tarde foram dizimados pelos portugueses, poloneses e alemães. Tapajós, Tupinambás, Pataxós, Guerens, Camacãs, Botocudos, quase todos foram reduzidos, escravizados, massacrados e mortos pelos europeus, que com sua ambição, colonizaram essas terras.

De acordo com Natan Mendes, ex-vice prefeito, ex-vereador e funcionário público a 44 anos da cidade, em seu depoimento para a produção desse trabalho, os primeiros desbravadores do território que atualmente integra o município de Una foram portugueses, holandeses e austríacos, que se estabeleceram em um braço de terra em uma ilha que mais tarde veio a ser construído o Hotel Transamérica, a Ilha de Comandatuba. Essa primeira povoação, segundo Natan, foi tragada pelo mar. Com  isso, os primeiros desbravadores foram fixar acampamento atravessando o Rio Una e cortando os mangues, até chegarem ao local onde, anos mais tarde, seria o Distrito de Pedras.

Segundo Silva (2001), para entender a formação da cidade de Una é preciso dizer que a cidade pertenceu a Capitania de São Jorge dos Ilhéus, mais a frente virou uma sesmaria e chegou a ser distrito do município de Ilhéus. Com isso, quando era uma sesmaria, segundo Silva (2001), D. Maria Clementina Henriqueta e seus familiares que ocuparam essas terras, na época das capitanias e sesmarias, por volta do ano de 1770, requereu essa sesmaria a D. Rodrigues José de Menezes, então governador e Capitão Geral da Província da Bahia. Somente em 23 de julho de 1799, a sesmaria foi-lhes concedida pela rainha de Portugal.

           Ainda se pode notar no trabalho de Silva (2001), a família de D. Maria Clementina Henriqueta passou a se apropriar do que viria a ser uma fazenda, e deu o nome de Fazenda São José, essas terras foram arrematadas em 18 de setembro de 1809, por Manuel Vasconcelos de Souza. Com isso, afirma Silva (2001), começaram a chegar a primeira leva de imigrantes europeus que formaram uma povoação na embocadura do Rio Maroim, um afluente do Rio Una, à esquerda da margem da foz do rio.  Em virtude das águas escuras do rio, o povoado recebeu a denominação de Una, nome de origem tupi-guarani. Porém, assim como diz Natan Mendes, Silva (2001) também relata que essa primeira povoação foi tragada pelo mar, e obrigou os habitantes a recuarem para 4 milhas em direção ao interior.

Registros históricos da Câmara de Vereadores da cidade de Canavieiras, que estão no trabalho de Silva (2001), dão conta que a sesmaria, até então pertencente a Ilhéus, passou a ser um distrito da cidade de Canavieiras. Porém, ainda de acordo com a autora, os moradores do local não gostaram e diversos movimentos políticos começaram a surgir para que o local, mesmo distante de Ilhéus, seguisse sendo pertencente àquela cidade.

Bandeira da cidade de Una

Todavia se baseando nas pesquisas de Silva (2001), esse local que originou a cidade, passou por um momento em que subiu de categoria, indo de povoação de Pedras a distrito, sob o novo nome de Santo Antônio da Barra de Una.

           Mesmo com sede ainda em Canavieiras, a povoação segue expandindo e a família do alemão que veio para o Brasil, o senhor João David Fuchs passou a ser a mais importante. A partir do século XIX, de acordo com Silva (2001), se constrói a cadeia de Una, a capela de Comandatuba e é inaugurada uma navegação a vapor que vinha de Salvador até Comandatuba, o que deu mais importância para a povoação, tendo em vista se passou a escoar a produção agrícola do local.

           A grande influência da família Fuchs fica evidente quando o senhor João David Fuchs, conforme Figura 02, passa adquirir diversas terras na povoação. Silva (2001) diz que ele imigrou para o Brasil no início do século XIX, e que seus pais adquiriram terras e construíram uma grande fazenda, que foi chamada de Cachoeirinha, ficava às margens do rio Una. Com o tempo, David Fuchs passou a ser o maior latifundiário da cidade.

           Para tentar entender um pouco sobre a origem da família Fuchs na cidade de Una – o que é de suma importância, tendo em vista que essa veio a ser a principal família da cidade, e que sua influência atravessou gerações – conseguimos registros históricos em uma obra da historiadora Albene Miriam Menezes, quando em 2008, ela escreveu um texto histórico para a Universidade de Brasília. Menezes (2008), relata que no século XIX, o governo brasileiro.

Além disso, Menezes (2008) vai dizer que outros assentamentos provenientes de povos alemães vem surgir no sul da Bahia, como a Colônia de Frankental (1824); a Colônia Almada (1815, 1817) e Colônia de São Jorge dos Ilhéus, ou São Jorge da Cachoeira (1818 – 1822). Até chegar à derradeira tentativa de se estabelecer uma colônia no sul da Bahia, trata-se da Colônia Moniz (1873), instalada na Fazenda Comandatuba, região da bacia do Rio Una. Que está registrada na obra de Silva (2001), como uma fazenda de João David Fuchs.

           Cabe aqui fazer um paralelo com a obra de Rusciolelli (2004), quando ele diz que na metade do século XIX, no grande fluxo imigratório para o Brasil, a povoação de Una se destacava como um forte polo de atração de imigrantes.

           O primeiro processo de emancipação que a cidade de Una vai ter, acontece em 02 de agosto de 1890. O país era governado provisoriamente por Marechal Hermes da Fonseca, e antes disso, a Vila pertencia ao município de Canavieiras.

           De acordo com Silva (2001), no mesmo mês de sua primeira emancipação foram instaladas a Câmara Municipal, que na época, era como se fosse à prefeitura hoje em dia, tendo em vista o modo do Brasil imperial seguir o modelo administrativo de Portugal.

           Porém, como o ato de criação desse novo município não estabelecia as áreas territoriais, a Vila de Canavieiras passou a requisitar novamente as terras, o que, segundo Silva (2001), gerou grandes disputas e desentendimentos entre os povos de cada local. Então, o novo município voltaria, no mesmo ano, a ser reanexado a Vila de Canavieiras.

           Em 1900, de acordo com Silva (2001), o senhor João David Fuchs, torna-se intendente ficando no cargo até o ano de 1909, quando é indicado o senhor João Clímaco Vieira em 1910. Ele foi o último intendente da Vila, ficando no cargo até 1912, quando a partir de então começa a aparecer à figura dos prefeitos na cidade. De acordo com a publicação da secretaria de administração de Una, do ano de 1996, o primeiro prefeito da cidade foi o senhor João Ranulfo Gusmão (1912/1916), seguido por Alferes João Baptista do Rego (1917/1918).

         A partir de 1919, a história de Una entra em uma nova era. Esse ano é quando assume o comando da prefeitura da cidade, aquele que viria a ser tido como o fundador da mesma, o principal patrono e a figura mais emblemática (para o bem e para o mal) até então de toda a cidade de Una. Assumia o comando o senhor Manoel Pereira de Almeida, ou como era chamado por moradores em geral: Coronel Almeida, e pelos índios Tupinambás: O Dono de Una.

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