Enfim deputados conseguem o que queriam: Lava Jato pode chegar ao fim segundo MPF

Hoje pela tarde, procuradores da Operação Lava Jato afirmaram que operação pode chegar ao fim. Eles concederam uma coletiva de imprensa onde afirmaram que podem renunciar coletivamente da operação, caso a proposta de abuso de autoridade for sancionada pelo presidente interino Michel Temer. Na madrugada desta quarta-feira (30), os deputados pulverizaram o texto das dez medidas contra a corrupção, que foi amplamente discutida e defendida por promotores, juristas e teve a assinatura de mais de 2 milhões pessoas.

 “Vamos renunciar coletivamente à Lava Jato caso essa proposta seja sancionada pelo presidente”, afirmou Carlos Fernando Lima, procurador da República.

O procurador da república, Rodrigo Janot e a presidente do supremo, ministra Cármem Lúcia, também já se levantaram contra a manobra da Câmara em proteger a classe política e até limitar e perseguir a classe jurídica.

Cabe ressaltar que o texto-base das 10 medidas havia sido aprovado antes, porém, na madrugada, com o povo dormindo e alguns ainda em estado de choque com o acidente aéreo da equipe da Chapecoense, que ceifou a vida de 71 pessoas e deixou ao menos 6 feridos graves, a Câmara dos Deputados passou a madrugada desta quarta votando emendas e derrubando vários pontos importantes da proposta.

Foto reprodução: Moro, Carlos e Dellagnol, homens de frente de batalha da Lava Jato estão atônitos
Foto reprodução: Moro, Carlos e Dellagnol, homens de frente de batalha da Lava Jato estão atônitos

A primeira atitude dos deputados na madrugada foi incluir emenda com a possibilidade de punição de magistrados e integrantes do Ministério Público por crime de abuso de autoridade.

“A força-tarefa da Lava Jato reafirma seu compromisso de avançar enquanto for possível, trabalhando ainda mais duro dentro das regras da Constituição e das leis para investigar, processar e punir a corrupção seja quem for o criminoso. Contudo, os procuradores da força-tarefa estão de acordo que não será possível continuar trabalhando na Lava Jato se a ‘lei da intimidação’ for aprovada”, disse o procurador Deltan Dallagnol.

‘Estancar sangria’

Segundo Dellagnol, a Câmara enfraqueceu o combate à corrupção, e isso acontece em um momento em que a Lava Jato chega perto de pessoas do poder. “O objetivo é estancar a sangria. “Há evidente conflito de interesses entre o que a sociedade quer e aqueles que se envolveram em atos de corrupção e têm influência dentro do Parlamento querem. O avanço de propostas como a Lei da Intimidação instaura uma ditadura da corrupção.” Essa fala do procurador, coorbora com o aúdio divulgado logo após o golpe que tirou a presidente Dilma do poder, em abril deste ano. Quando aúdios da gravação de uma conversa entre Romero Jucá, ex ministro do governo Temer, e o ex-presidente da Transpeto, Sérgio machado, foram divulgados. Relembrem o caso aqui.

Entenda o caso

Em março do ano passado, o MPF apresentou as “10 medidas contra a corrupção”. Mais de 2 milhões de cidadãos assinaram as propostas do Ministério Público que foram enviadas ao Congresso. Entretanto, na madrugada desta quarta-feira, mais de um ano e meio depois, os deputados federais desfiguraram o projeto inicial.

As 10 medidas contra corrupção que a Câmara recusou
As 10 medidas contra corrupção que a Câmara recusou

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